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Boris Pasternak

Boris Pasternak

Biografia Completa

Introdução

Boris Leonidovitch Pasternak nasceu em 10 de fevereiro de 1890, em Moscou, e faleceu em 30 de maio de 1960, na mesma cidade. Poeta e romancista russo de renome mundial, destacou-se por obras que mesclam lirismo pessoal com reflexões sobre a existência humana e a história. Seu romance "Doutor Jivago", publicado em 1957 no Ocidente, narra o destino de um médico-poeta durante a Revolução Russa e a Guerra Civil, capturando o caos social e a busca espiritual individual.

A Academia Sueca concedeu-lhe o Nobel de Literatura em 1958, premiando "sua importante obra poética e pela grandeza épica de seu romance Doutor Jivago". Pasternak aceitou inicialmente, mas recusou o prêmio sob intensa pressão do governo soviético, que via a obra como anticomunista. Essa controvérsia elevou sua estatura global. Sua poesia, influenciada pelo simbolismo, explora a efemeridade da vida e a eternidade da arte, como em versos: "Também a vida é só um instante, apenas um dissolver-se, de nós mesmos nos outros". Até 2026, Pasternak permanece ícone da resistência literária sob totalitarismos, com "Doutor Jivago" adaptado para cinema e ópera.

Origens e Formação

Pasternak cresceu em uma família judia intelectual de Moscou. Seu pai, Leonid Pasternak, era pintor renomado, retratista de figuras como Lev Tolstói e Albert Einstein. A mãe, Rosa Kaufman, era pianista concertista, descendente de rabinos lituanos. Essa ambiente cultural rico moldou o jovem Boris desde cedo.

Frequentou o ginásio alemão de Moscou, onde se destacou em línguas e ciências. Em 1908, iniciou estudos de música no Conservatório de Moscou, sob influência materna, mas abandonou após um ano. Em 1910, viajou à Alemanha para estudar filosofia na Universidade de Marburg, com o neokantiano Hermann Cohen. Ali, escreveu poemas iniciais e cogitou carreira acadêmica, mas retornou à Rússia em 1912, atraído pela revolução iminente e pela poesia.

De volta, publicou seu primeiro livro, "Gêmeo na Nuvem" (1914), sob égide do simbolismo russo. Influências incluíam poetas como Aleksandr Blok e Innokenti Annenki. A Primeira Guerra Mundial e a Revolução de 1917 interromperam planos, mas aceleraram sua maturidade literária. Traduziu Goethe e Rilke, aprimorando estilo.

Trajetória e Principais Contribuições

Pasternak consolidou-se como poeta nos anos 1920. "Sobre as Fronteiras" (1918) e "Sestra" (1922) revelam lirismo inovador, misturando imagens naturais com tumulto revolucionário. Ganhou prêmios stalinistas iniciais por conformidade, mas divergiu do realismo socialista. Nos anos 1930, focou em prosa e tradução: rendeu "Fausto" de Goethe (1953, edição soviética) e "Hamlet" de Shakespeare.

Seu ápice veio com "Doutor Jivago" (1957). Escrito nos anos 1940-1950, o romance épico segue Iúri Jivago, médico e poeta, em meio à Revolução Russa (1917), Guerra Civil e ascenso bolchevique. Intercala narrativa com 25 poemas de Jivago, ecoando temas pasternakianos: amor transcendente, ciclo da vida e crítica velada ao coletivismo. Publicado pela Feltrinelli em Milão após rejeição soviética, vendeu milhões e foi banido na URSS até 1988.

Outras contribuições incluem "O Jardim de Gelst" (1928), conto autobiográfico, e ciclos poéticos como "Segunda Natividade" (1932). Produziu mais de 600 poemas. Suas frases capturam essência: "A arte primitiva... é um certo pensamento, uma certa afirmação sobre a vida". Traduções elevaram sua reputação; rendeu prêmios como o Etna-Taormina (1956).

Cronologia chave:

  • 1914: Estreia poética.
  • 1922: "Sestra", aclamação crítica.
  • 1946: Poemas de guerra.
  • 1957: "Doutor Jivago".
  • 1958: Nobel.

Vida Pessoal e Conflitos

Pasternak casou-se duas vezes. Em 1922, com Eva Ljadova, artista; tiveram um filho, Evgueni. Divorciaram-se em 1931. Em 1934, uniu-se a Zinaida Neuhaus, pianista; geraram dois filhos, Iliá e Leonid. Viveu com ela até a morte, em Peredelkino, datcha literária. Relacionamento com Olga Ivinskaia, editora e musa, inspirou Lara em "Jivago"; ela foi presa em 1949 e 1965 por associação.

Enfrentou censura soviética. Stalin poupou-o em 1937, supostamente após consulta: "Não somos fanáticos". Ainda assim, perdeu amigos nos expurgos (Osip Mandelstam, Marina Tsvetáieva). Campanha anti-Nobel em 1958 isolou-o: jornais o difamaram, recusou o prêmio para evitar exílio. Escreveu a Khrushchev: "Deixando de lado os motivos pessoais... recuso o prêmio". Saúde declinou; morreu de câncer pulmonar aos 70 anos. Enterro atraiu milhares, apesar da proibição.

Frases revelam introspecção: "Todas as mães... deram à luz grandes homens. E se a vida as enganou... delas não foi a culpa". Conflitos marcaram tensão entre arte e poder.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Pasternak simboliza integridade literária. "Doutor Jivago" influenciou gerações; filme de David Lean (1965) ganhou Oscars. Poemas integrados a "Jivago" editados postumamente (1966, URSS parcial). Obras completas publicadas na Rússia pós-1991.

Até 2026, estuda-se como testemunho da alma russa sob comunismo. Traduções globais persistem; Nobel póstumo simbólico em debates. Ivinskaia publicou memórias (1967), confirmando musa. Legado reside na universalidade: "Somos como Adão e Eva... nós respiramos, nós amamos, nós choramos". Festivais em Moscou e prêmios anuais honram-no. Críticas persistem na Rússia sobre "antissovietismo", mas consenso global o eleva como humanista.

Pensamentos de Boris Pasternak

Algumas das citações mais marcantes do autor.