Voltar para Billy Wilder
Billy Wilder

Billy Wilder

Biografia Completa

Introdução

Billy Wilder, nascido Samuel Wilder em 22 de junho de 1906, em Sucha Beskidzka (então Áustria-Hungria, hoje Polônia), emergiu como um dos cineastas mais versáteis de Hollywood. Judeu de família modesta, ele construiu uma carreira lendária após escapar do nazismo, tornando-se roteirista e diretor premiado. Seus filmes, como Double Indemnity (1944), Sunset Boulevard (1950), Some Like It Hot (1959) e The Apartment (1960), misturam sátira social, comédia e drama noir, criticando hipocrisias americanas com diálogos afiados. Wilder ganhou seis Oscars, incluindo melhor diretor e roteiro por The Apartment. Sua frase "Adoro a televisão. Antes dela, sempre dizia que o cinema era a arte mais vagabunda que existia. Agora já estamos em segundo lugar" reflete seu humor irônico sobre a indústria. Até sua morte em 27 de março de 2002, aos 95 anos, ele personificou a era de ouro de Hollywood, com mais de 50 filmes que moldaram o cinema moderno.

Origens e Formação

Samuel Wilder cresceu em uma família judaica de classe média baixa. Seu pai, Max Wilder, vendia produtos ferroviários; sua mãe, Eugenia, gerenciava um hotel em Viena. A família se mudou para a capital austríaca quando ele era criança. Wilder frequentou escolas locais e demonstrou interesse precoce por histórias e cinema. Adolescente, trabalhou como repórter de crimes em Viena.

Em 1926, aos 20 anos, mudou-se para Berlim, onde adotou o pseudônimo Billy Wilder. Ali, iniciou como jornalista freelance para tabloides sensacionalistas, cobrindo escândalos e esportes. Aprendeu a observar a sociedade com ceticismo, absorvendo influências de escritores como Ernst Lubitsch e Fritz Lang. Escreveu roteiros para filmes mudos e falados, colaborando com colegas como Max Reinhardt.

A ascensão nazista interrompeu sua trajetória. Em 1933, com Hitler no poder, Wilder fugiu de Berlim para Paris, deixando para trás bens e contatos. Sua mãe e avó morreram em campos de concentração, fato que ele mencionou esparsamente em entrevistas. Na França, dirigiu seu primeiro filme, Maître après Dieu (1934), mas logo emigrou para os Estados Unidos via México, chegando a Hollywood em 1934 com US$ 150 no bolso e domínio limitado de inglês.

Trajetória e Principais Contribuições

Em Hollywood, Wilder começou como roteirista extra. Aprendeu inglês assistindo filmes de Mae West e lendo gibis. Seu primeiro sucesso veio com Ninotchka (1939), sátira anticomunista estrelada por Greta Garbo, escrita com Charles Brackett. Seguiu Ball of Fire (1941), com Barbara Stanwyck e Gary Cooper.

A estreia como diretor veio em The Major and the Minor (1942), comédia leve. Mas Double Indemnity (1944), codirigido com Brackett no roteiro, marcou sua maturidade. Film noir clássico sobre adultério e assassinato, ganhou Oscar de melhor roteiro original e definiu o gênero com sua narrativa em flashback e moral ambígua.

Wilder expandiu gêneros nos anos 1940-1950:

  • The Lost Weekend (1945): Drama sobre alcoolismo, vencedor de Oscars de melhor filme, diretor e roteiro.
  • Sunset Boulevard (1950): Sátira sombria de Hollywood, com Gloria Swanson como estrela decadente; indicado a 11 Oscars.
  • Stalag 17 (1953): Comédia de guerra sobre prisioneiros; Oscar de melhor roteiro.
  • Sabrina (1954): Romance com Audrey Hepburn e Humphrey Bogart.
  • The Seven Year Itch (1955): Famoso pela cena do vestido de Marilyn Monroe sobre a grade de metrô.

A década de 1950 trouxe picos: Some Like It Hot (1959), comédia transvestida com Monroe, Lemmon e Curtis, considerada uma das melhores comédias ever, apesar de censura por insinuações homossexuais. The Apartment (1960) criticou corrupção corporativa; varreu os Oscars de 1961 (filme, diretor, roteiro).

Nos anos 1960-1970, produziu sucessos como Irma la Douce (1963), Kiss Me, Stupid (1964, controverso por prostituição) e The Fortune Cookie (1966), primeiro com Walter Matthau e Jack Lemmon como dupla recorrente. The Private Life of Sherlock Holmes (1970) falhou comercialmente, mas ganhou status de cult. Seu último filme, Buddy Buddy (1981), foi uma comédia negra mal recebida.

Wilder dirigiu 26 filmes, escreveu ou coreografou 60. Sua parceria com Brackett durou 12 filmes até 1957. Mestre em diálogos concisos, ele dizia: "Minha vida é um livro aberto. Ligeiramente pornográfico, talvez, mas aberto." Influenciou diretores como Cameron Crowe, que o documentou em The Kid Stays in the Picture.

Vida Pessoal e Conflitos

Wilder casou-se duas vezes. Em 1936, com Judith Coppicus Iribe, casamento breve sem filhos. Em 1940, desposou Audrey Young, atriz de suas produções; adotaram dois filhos, Victoria e Andrew Vincent. Residiu em Los Angeles até o fim.

Sua personalidade era cínica e workaholic. Brigou com estúdios por controle criativo, como em Sunset Boulevard, onde insistiu em locações reais. Conflitos com Marilyn Monroe em Some Like It Hot atrasaram filmagens por seu perfeccionismo. Críticos o acusaram de cinismo excessivo, mas ele respondia com humor: "Lembra que és tão bom com o que de melhor tiveres feito na vida."

Nunca superou totalmente o Holocausto; evitou dramas autobiográficos. Colecionava arte e apostava em corridas. Na velhice, deu aulas na USC e recebeu homenagens, como Oscar honorário em 1986.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Até 2026, Wilder é reverenciado como ponte entre cinema europeu e hollywoodiano. Seus filmes circulam em restaurações 4K; Some Like It Hot e The Apartment lideram listas da AFI. Influenciou Tarantino, Coen Brothers e Bong Joon-ho. Em 2002, após sua morte por pneumonia, milhares compareceram ao funeral; Jack Lemmon leu sua lápide proposta: "Billy Wilder fez as pessoas rir e chorar. Agora precisa de um descanso." Exposições no MoMA e livros como Nobody's Perfect (2000, suas entrevistas) mantêm-no vivo. Sua versatilidade – noir, screwball, sátira – define o "autor hollywoodiano".

Pensamentos de Billy Wilder

Algumas das citações mais marcantes do autor.