Introdução
William Franklin Graham Jr., conhecido como Billy Graham, nasceu em 7 de novembro de 1918, em Charlotte, na Carolina do Norte, e faleceu em 21 de fevereiro de 2018, aos 99 anos, em Montreat, na mesma região. Pregador batista norte-americano, ele se tornou uma das vozes evangélicas mais influentes do século XX. Suas cruzadas evangelísticas alcançaram centenas de milhões de pessoas em estádios, arenas e transmissões de rádio e TV ao redor do mundo.
Graham pregou a mensagem central do cristianismo evangélico: a necessidade de conversão pessoal pela fé em Jesus Cristo para a salvação eterna. Frases como "A Bíblia é mais atual do que o jornal de amanhã!" capturam sua visão da Escritura como guia infalível. Ele aconselhou 12 presidentes dos EUA, de Harry Truman a Barack Obama, mantendo uma postura apartidária. Sua vida reflete o impacto de um ministério que priorizava a pregação simples e direta, sem escândalos pessoais. Até 2018, estimava-se que ele havia pregado pessoalmente para 215 milhões de pessoas em 185 países. Seu legado persiste na Billy Graham Evangelistic Association e na Billy Graham Library.
Origens e Formação
Billy Graham cresceu em uma fazenda de laticínios na periferia de Charlotte, Carolina do Norte, como o mais velho de quatro filhos de William Franklin Graham Sr. e Morrow Coffey Graham, uma família presbiteriana devota. A infância rural moldou seu caráter prático e disciplinado. Aos 16 anos, em 1934, ele se converteu ao cristianismo durante uma série de cultos evangelísticos liderados por Mordecai Ham, um pregador itinerante. Esse evento marcou o início de sua jornada espiritual.
Graham iniciou estudos no Bob Jones College, em Cleveland, Tennessee, mas o deixou após um ano por discordâncias com o diretor. Transferiu-se para o Florida Bible Institute, em Tampa, onde se formou em 1940. Lá, pregou pela primeira vez em uma reunião ao ar livre, levando à sua ordenação como pastor batista sulista. Posteriormente, obteve bacharelado em antropologia no Wheaton College, em Illinois, em 1943. Durante esse período, conheceu Ruth McCue Bell, filha de missionários na China, com quem se casou em 13 de agosto de 1943. Ruth se tornou sua parceira vitalícia, influenciando sua família e ministério.
Esses anos formativos o expuseram a movimentos fundamentalistas e evangélicos iniciais, preparando-o para um papel público maior.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Graham decolou nos anos 1940. Em 1943, assumiu o pastorado da Grace Baptist Church, em Spartanburg, Carolina do Sul, mas logo se juntou ao Youth for Christ (YFC), pregando para jovens em cidades americanas. De 1945 a 1948, viajou extensivamente como evangelista do YFC, ganhando reputação. Em 1947, organizou sua primeira grande cruzada em Grand Rapids, Michigan.
O ponto de virada veio em 1949, com a Cruzada de Los Angeles, inicialmente planejada para três semanas, mas estendida para oito devido ao sucesso. Cobertura midiática, impulsionada pelo magnata William Randolph Hearst, catapultou-o à fama nacional. Em 1950, fundou a Billy Graham Evangelistic Association (BGEA) em Minneapolis, Minnesota, que coordenou suas atividades globais, incluindo rádio ("Hour of Decision", a partir de 1950), colunas sindicadas como "My Answer" e produções cinematográficas.
Graham realizou mais de 400 cruzadas em seis continentes. Destaques incluem: Londres (1954, 12 semanas no Wembley Stadium, 350 mil atendimentos); Nova York (1957, Yankee Stadium e Madison Square Garden, 2 milhões de ouvintes); e eventos na Europa, Ásia e América Latina. Em 1973, pregou na Coreia do Sul para 1,1 milhão em três dias. Ele priorizava parcerias com igrejas locais e contagens de "decisões por Cristo", reportadas em milhões.
Outras contribuições incluem livros como Peace with God (1953), best-seller que vendeu milhões, e Angels: God's Secret Agents (1975). Frases suas, como "Avivamento não é descer a rua com um grande tambor; é subir ao Calvário em grande choro", resumem sua teologia. Ele defendeu a Bíblia como "a bússola do cristão" e alertou contra o pecado: "O pecado é como o câncer: destrói pouco a pouco". Graham promoveu o diálogo inter-religioso moderado, participando do Congresso Mundial de Evangelismo em Lausanne (1974). Sua postura anti-racista integrou cruzadas desde os anos 1950, contrariando segregação sulista.
Vida Pessoal e Conflitos
Graham casou-se com Ruth Bell em 1943; eles tiveram cinco filhos: Virginia, Anne, Ruth, Franklin e Nelson. Ruth gerenciou o lar durante suas ausências prolongadas, criando os filhos em uma cabana em Montreat. Franklin Graham sucedeu-o na Samaritan's Purse e BGEA. A família enfrentou desafios, como Graham refletindo: "Que proveito terá o homem, ou mulher, se ganharem o mundo inteiro, mas perderem suas próprias famílias?". Ruth faleceu em 2007, após 64 anos de casamento.
Graham manteve regras estritas para integridade: o "Modesto Manifesto" (1948), com colegas como Grady Wilson, estabeleceu limites contra escândalos financeiros e morais – nunca estar sozinho com mulher não familiar, relatórios públicos de finanças. Isso preservou sua reputação imaculada.
Conflitos incluíram tensões iniciais com fundamentalistas por associações com liberais como o teólogo Billy Sunday e Charles Templeton (que abandonou a fé). Em 1972, gravações da Casa Branca revelaram conversa com Richard Nixon contendo comentários antissemitas, que Graham lamentou publicamente anos depois. Ele evitou endossos políticos, exceto apoio inicial a Nixon em 1968, mas retirou-se da política após Watergate. Saúde declinou nos anos 1990 com Parkinson, limitando pregações; sua última cruzada foi em 2005, em Nova York.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até sua morte em 2018, Graham era reverenciado como "o pastor da América". A BGEA continua ativa, com eventos como An Evening with Billy Graham e recursos digitais alcançando bilhões via internet. A Billy Graham Library, em Charlotte, inaugurada em 2007, atrai 200 mil visitantes anuais. Seus livros permanecem impressos, com mais de 30 títulos.
Em 2023-2026, seu modelo de evangelismo global inspira movimentos como o de seu filho Franklin. Pesquisas Gallup o listaram consistentemente como uma das figuras mais admiradas dos EUA por décadas. Frases persistem em redes sociais e sermões. Críticas modernas focam em conservadorismo social, mas seu impacto em conversões reportadas (estimadas em 3 milhões) e unidade evangélica é consensual. Em 2018, seu funeral, com 2.300 presentes incluindo presidentes Bush e Trump, marcou o fim de uma era.
