Introdução
Mikhail Aleksandrovitch Bakunin nasceu em 30 de maio de 1814, em Premukhino, província de Tver, na Rússia, e faleceu em 1º de julho de 1876, em Berna, na Suíça. Ele é reconhecido como um dos fundadores do anarquismo moderno, especialmente na vertente coletivista. Sua obra e ativismo enfatizaram a abolição do Estado, da propriedade privada e da religião como caminhos para a liberdade humana plena.
Bakunin influenciou movimentos revolucionários no século XIX. Participou ativamente das revoltas de 1848-1849 na Europa. Preso múltiplas vezes, escapou da Sibéria em 1861. Na Primeira Internacional (Associação Internacional dos Trabalhadores), travou embates com Karl Marx, defendendo o federalismo contra o centralismo marxista. Expulso em 1872, continuou propagando ideias antiautoritárias até sua morte por cirrose hepática.
Suas frases icônicas, como "A paixão pela destruição é uma paixão criativa" e "se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir", capturam sua rejeição veemente a toda forma de autoridade. Até 2026, seu pensamento permanece referência para anarquistas contemporâneos.
Origens e Formação
Bakunin cresceu em uma família nobre russa. Filho de Aleksandr Bakunin, diplomata e proprietário de terras, e Varvara Muraviev, de origem nobre, era o maior de onze irmãos. A família possuía a propriedade de Premukhino, onde Mikhail passou a infância.
Em 1829, aos 15 anos, ingressou na Escola de Artilharia Imperial em São Petersburgo. Formou-se subtenente em 1833 e serviu como oficial na Guarda de Corpo. Desertou em 1835, após dois anos, para viajar pela Rússia e Europa Oriental, buscando autodesenvolvimento.
Na Europa, Bakunin absorveu influências filosóficas. Em Moscou, em 1836, estudou Hegel intensamente, juntando-se ao Círculo de Schelling. Viajou para Berlim em 1840, onde frequentou universidades e se aproximou do hegelianismo de esquerda. Conheceu Arnold Ruge e adotou ideias socialistas.
Em 1841, mudou-se para Paris, centro intelectual. Ali, contactou Pierre-Joseph Proudhon, Karl Marx e Friedrich Engels. Adotou o socialismo utópico de Charles Fourier e o mutualismo proudhoniano. Esses anos moldaram sua visão antietatista, rejeitando tanto o capitalismo quanto o comunismo autoritário.
Trajetória e Principais Contribuições
Bakunin iniciou sua militância revolucionária nos anos 1840. Em 1847, publicou artigos radicais em revistas suíças e francesas. Defendia a revolução espontânea das massas contra elites.
Em 1848, eclodiu a Revolução de Fevereiro na França. Bakunin voltou a Paris, mas foi expulso por Louis Philippe. Participou da Revolução de 1848 em Praga, Baden e Dresden em 1849. Em Dresden, liderou barricadas insurretas.
Preso pelas autoridades saxãs em 1849, foi extraditado para a Rússia. Julgado em São Petersburgo, confessou lealdade ao tsar, mas recebeu sentença de morte comutada para prisão perpétua. Confiado à Fortaleza de Pedro e Paulo em 1850, transferido para a Prisão de Schlisselburg em 1854.
Em 1855, enviaram-no à Sibéria, para Tobolsk e depois Amur. Casou-se em 1861 com Antonia Kwiatkowska, sobrinha de sua carcereira. Fugiu em junho de 1861, viajando pelo Pacífico, EUA e Europa, chegando a Londres em dezembro.
De volta à Europa, Bakunin reativou-se. Em 1864, ajudou a fundar a Liga da Paz e da Liberdade, mas rompeu por seu ateísmo e antietatismo. Ingressou na Primeira Internacional em 1868, via Seção Italiana.
Escreveu obras chave: O Império Knouto-Germânico e a Revolução Social (1871), Deus e o Estado (1871, póstumo), criticando religião e Estado como pilares da opressão. Defendia coletivismo: produção coletiva sem Estado transitório.
Em 1870, participou da Comuna de Lyon e insurreição em Marselha. Na Conferência de Londres de 1871, opôs-se ao centralismo marxista. Na Conferência de Haia de 1872, foi expulso com aliados.
Fundou a Federação Jurassiana e a Aliança Internacional da Democracia Socialista, promovendo anarquismo federativo.
Vida Pessoal e Conflitos
Bakunin casou-se em 1861 com Antonia Kwiatkowska, com quem teve sete filhos, três sobreviventes à maioridade. Viveu exilado na Suíça, Itália e França, enfrentando pobreza crônica apesar de herança familiar.
Seus conflitos foram intensos. Com o tsar Nicolau I, suportou solitária por anos. Na Internacional, rivalizou com Marx, que o via como conspirador. Marx orquestrou sua expulsão, acusando-o de sectarismo.
Bakunin enfrentou críticas por supostas ligações com carbonários italianos e niilistas russos, mas negava conspirações secretas, priorizando ação espontânea. Sua saúde deteriorou por alcoolismo e prisões, culminando em paralisia facial e morte.
Frases revelam sua personalidade: "Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma", criticando intelectuais elitistas; "É melhor a ausência de luz do que uma luz trêmula e incerta", preferindo escuridão à reforma parcial.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Bakunin moldou o anarquismo como ideologia distinta do marxismo. Seu coletivismo influenciou a Confederação Nacional do Trabalho na Espanha (1936) e sindicatos revolucionários. Deus e o Estado vendeu milhões, traduzido amplamente.
Até 2026, pensadores como Noam Chomsky citam-no em críticas ao poder estatal. Movimentos como Occupy Wall Street e Zapatistas no México ecoam seu federalismo. No Brasil, anarquistas de 1910-1930, como os de São Paulo, basearam-se nele.
Críticas persistem: acusações de utopismo e violência implícita em frases como "A paixão pela destruição é uma paixão criativa". Ainda assim, sua ênfase em "liberdade sem igualdade" como injustiça permanece vigente em debates sobre democracia direta e horizontalidade.
Seu pensamento inspira ativismo antipatriarcal e ecologista, adaptado a contextos digitais. Universidades oferecem cursos sobre anarquismo bakuninista, e edições críticas de suas obras saem regularmente.
