Introdução
Riley B. King, eternizado como B.B. King, representa o ápice do blues moderno. Nascido em uma plantação de algodão no Delta do Mississippi em 1925, ele transformou as dores da vida rural afro-americana em um som elétrico que ecoou pelo mundo. Sua guitarra, apelidada de Lucille, tornou-se um ícone, com um vibrato único que expressava emoção crua.
B.B. King gravou mais de 50 álbuns e tocou em mais de 15 mil shows ao longo de 68 anos de carreira. Seu hit "The Thrill is Gone", de 1969, alcançou o Top 40 da Billboard Hot 100, abrindo portas para o blues no mainstream pop. Ele recebeu 15 prêmios Grammy, incluindo um Lifetime Achievement Award em 1987, e foi induzido ao Rock and Roll Hall of Fame no mesmo ano. Sua influência se estende do rock ao jazz, tocando artistas como Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan. Até sua morte em 2015, aos 89 anos, King permaneceu uma força vital na música americana, simbolizando resiliência e maestria técnica.
Origens e Formação
B.B. King nasceu em 16 de setembro de 1925, em Berclair, perto de Itta Bena, Mississippi. Filho de plantadores de algodão, Riley perdeu a mãe aos nove anos e o pai pouco depois. Criado pela avó e depois por parentes, trabalhou desde criança nas lavouras, colhendo algodão por 75 centavos ao dia.
A música entrou em sua vida na igreja batista local, onde cantava gospel. Influenciado por artistas como Blind Lemon Jefferson e Lonnie Johnson, King aprendeu violão sozinho. Em 1946, após um casamento breve com Martha Denton, mudou-se para Memphis, Tennessee. Lá, adotou o apelido "Blues Boy" como DJ na rádio WDIA, que o contratou em 1948. O nome encurtou para B.B. King.
Ele comprou seu primeiro violão elétrico em 1949 e sobreviveu a um incêndio em um show, resgatando o instrumento – daí veio "Lucille", nome de uma mulher que causara briga no local. Esses anos formativos moldaram seu estilo: vibrato amplo na guitarra e vocais soulful, misturando blues com gospel e swing.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de B.B. King decolou em 1950, quando assinou com a RPM Records de seus primos, Ike e Booker Turner. Seu primeiro hit nacional veio em 1951 com "Three O'Clock Blues", que liderou as paradas de R&B por cinco semanas e o levou a turnês pelo Sul.
Nos anos 1950, King lançou dezenas de singles, incluindo "Every Day I Have the Blues" e "Sweet Little Angel". Ele tocava mais de 300 shows por ano, dirigindo seu próprio ônibus pelas estradas segregadas dos EUA. Em 1962, assinou com a ABC-Paramount, expandindo para plateias brancas com álbuns como Live at the Regal (1965), considerado um dos melhores shows ao vivo da história pelo crítico Gerald Herz.
O breakthrough veio em 1968 com Lucille, álbum homônimo à guitarra, e em 1969, "The Thrill is Gone" – regravação de um blues de 1951 – ganhou um Grammy e chegou ao número 3 na Billboard Soul e 15 na Hot 100. King colaborou com The Crusaders em Blues 'N' Jazz (1973) e tocou no concerto de despedida de Elvis Presley em 1977.
Nos anos 1980 e 1990, integrou a supergrupo The Thrill Is Gone com Eric Clapton, resultando no álbum Riding with the King (2000), vencedor de Grammy. Ele excursionou globalmente, tocando na China em 1988 e no Brasil em 1992. Ao todo, gravou cerca de 50 álbuns de estúdio e recebeu o Kennedy Center Honors em 2006 e a National Medal of Arts em 2008. Sua técnica de "cantar" com a guitarra, usando bends e sustain, revolucionou o blues elétrico e influenciou o rock.
- Marcos principais:
- 1951: Primeiro hit nacional.
- 1965: Live at the Regal.
- 1969: Grammy por "The Thrill is Gone".
- 1987: Rock Hall e Lifetime Grammy.
- 2000: Riding with the King.
Vida Pessoal e Conflitos
B.B. King casou-se duas vezes oficialmente: com Martha Denton em 1946 (divórcio em 1952) e com Sue Carol Hall de 1958 a 1966, com quem teve um filho. Ele reconheceu 14 filhos biológicos de vários relacionamentos, priorizando apoio financeiro a eles. King fumava charutos e bebia, mas evitou drogas pesadas, apesar da tentação nas turnês.
Ele enfrentou racismo: em 1956, escapou por pouco de um linchamento simulado após recusar assento nos fundos de um ônibus. Financeiramente, lutou nos anos 1960, chegando a considerar aposentadoria, mas turnês o salvaram. Diabetes o acometeu na velhice, limitando mobilidade, e ele dirigiu seu ônibus até os 80 anos. King publicou sua autobiografia Blues All Around Me em 1996, com relatos francos de sua vida.
Críticas o acusavam de repetir fórmulas, mas ele respondia com consistência: "Eu toco o que o público quer ouvir". Gerenciou disputas familiares sobre herança após sua morte, mas manteve imagem de gentleman.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
B.B. King faleceu em 14 de maio de 2015, em Las Vegas, de complicações vasculares agravadas por diabetes, aos 89 anos. Seu funeral no Bell Grove Missionary Baptist Church reuniu Clapton, Obama e Bono.
Seu legado persiste: a B.B. King Blues Club em Nova York (aberta em 1998) e o B.B. King Museum em Indianola, Mississippi (2008), preservam sua história. Até 2026, tributos incluem reedições de álbuns pela Universal e induções póstumas. Artistas como Gary Clark Jr. e Christone "Kingfish" Ingram citam-no como mentor.
King elevou o blues de nicho rural a patrimônio global, com mais de 20 milhões de discos vendidos. Sua frase "O blues é mais que notas: é sentimento" resume sua filosofia. Em 2026, festivais como o B.B. King Homecoming no Mississippi mantêm viva sua essência, influenciando streaming e novas gerações.
