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August Strindberg

August Strindberg

Biografia Completa

Introdução

Johan August Strindberg nasceu em 22 de janeiro de 1849, em Estocolmo, Suécia, e faleceu em 14 de maio de 1912. Dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta e pintor, ele é considerado um dos fundadores do teatro moderno. Suas obras transitam do naturalismo ao expressionismo, questionando relações familiares, papéis de gênero e a condição humana. Peças como O Pai (1887), Miss Julie (1888) e O Pelicano (1907) chocaram plateias por sua intensidade psicológica. Strindberg publicou mais de 60 obras, incluindo romances autobiográficos e diários. Sua vida marcada por pobreza inicial, casamentos conturbados e crises espirituais moldou sua produção. Até 2026, suas peças continuam encenadas globalmente, influenciando dramaturgos como Ingmar Bergman e o teatro absurdo.

Origens e Formação

Strindberg cresceu em uma família de classe média baixa. Seu pai, Johan August, trabalhava como agente marítimo; a mãe, Eleonora Ulrika Norling, era empregada doméstica antes do casamento. O lar familiar em Estocolmo era instável financeiramente. Ele era o terceiro de oito filhos. Desde jovem, demonstrou interesse pela literatura e ciências. Matriculou-se na Universidade de Uppsala em 1867, estudando química e história da literatura, mas abandonou os estudos em 1871 sem diploma, devido a dificuldades financeiras e rebeldia. Trabalhou como tutor, ator e jornalista freelance em jornais de Estocolmo. Essa fase inicial forjou sua visão crítica da sociedade burguesa. Em 1872, escreveu sua primeira peça, Mestre Olof, um drama histórico rejeitado inicialmente pelo Teatro Real de Estocolmo por seu tom anticlerical, mas encenado em 1874 em versão censurada.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira literária de Strindberg decolou nos anos 1870. Seu romance de estreia, O Quarto Vermelho (1879), satirizava a boêmia estocólica e vendeu bem, financiando publicações futuras. Nos anos 1880, adotou o naturalismo influenciado por Émile Zola e Henrik Ibsen. O Pai (1887) explora conflito conjugal com acusações de loucura mútua; Miss Julie (1888), sobre uma condessa e seu criado na véspera de Midsummer, analisa hierarquias sociais e sexuais, banida em alguns países por ousadia. Os Credores (1889) completa o ciclo naturalista.

Em 1890, fugiu para a Europa continental após um julgamento por blasfêmia em Síndromes de Paris. Publicou ensaios polêmicos como O Serviço de Mulheres na Sociedade Moderna (1887), criticando o feminismo emergente. Uma crise espiritual em Paris (1894-1897), descrita em Inferno (1897), marcou transição para o misticismo. Experimentou com alquimia e teosofia, influenciado por Emanuel Swedenborg.

Retornou à Suécia em 1899, produzindo peças expressionistas: A Dança da Morte (1900), Um Sonho (1901), que quebra a lógica aristotélica com cenários fluidos e monólogos internos, e O Pelicano (1907), sobre família disfuncional onde a mãe oferece sangue aos filhos famintos. Pintou paisagens e autorretratos pós-1900, expostos em Estocolmo. Escreveu romances como Filhas de Eva e coletâneas de contos. Até 1912, produziu cerca de 30 peças de câmara para o Intima Teatern, que fundou em 1907. Suas frases capturam essências: "É indispensável estudar a natureza dos outros antes de darmos livre curso à nossa" reflete sua psicologia observacional.

  • Marcos cronológicos principais:
    • 1879: O Quarto Vermelho.
    • 1888: Miss Julie.
    • 1897: Inferno.
    • 1901: Um Sonho.
    • 1907: O Pelicano.

Vida Pessoal e Conflitos

Strindberg casou-se três vezes, com uniões marcadas por ciúmes e separações. Primeira esposa: Siri von Essen (1874-1891), atriz nobre; tiveram uma filha, Karin, e dois filhos. O divórcio veio após acusações mútuas de infidelidade, refletidas em O Pai. Segunda: Frida Uhl (1893-1897), austríaca 20 anos mais jovem; gerou uma filha, Greta, mas separaram-se durante a crise de Inferno. Terceira: Harriet Bosse (1901-1904), atriz norueguesa; nasceu uma filha, Anne-Marie. Divórcio novamente por brigas.

Enfrentou acusações de misoginia em obras e ensaios, mas defendeu-se como observador da natureza humana: "Sim, eu sou um homem e choro. Um homem não tem olhos?". Teve episódios depressivos, paranoia e alucinações durante Inferno, hospitalizado brevemente. Polêmicas incluíram o "escândalo da dinamite" (1884), investigado por suposto complô anarquista (inocente). Amizades com boêmios e cientistas contrastavam com isolamento posterior. Frases como "Somos inocentes, mas responsáveis" ecoam sua culpa existencial. Faleceu de câncer de estômago em Estocolmo, aos 63 anos.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Strindberg influenciou o teatro do século XX: naturalismo pavimentou o realismo psicológico; expressionismo inspirou Pirandello, O'Neill e Beckett. Miss Julie foi adaptada em filmes (1951, 1999, 2014) e óperas. Em 2026, suas peças são curriculares em universidades, com encenações regulares no Dramaten de Estocolmo e teatros internacionais. O Museu Strindberg preserva sua casa e pinturas. Temas de gênero e família permanecem relevantes em debates #MeToo. Frases como "Eu não desejava a vitória, mas a luta" circulam em coletâneas motivacionais. Sua obra, traduzida em dezenas de idiomas, soma milhões de exemplares vendidos. Críticos o veem como ponte entre Ibsen e o modernismo, com impacto em psicanálise freudiana precoce.

Pensamentos de August Strindberg

Algumas das citações mais marcantes do autor.