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Arthur Rimbaud

Arthur Rimbaud

Jean Nicolas Arthur Rimbaud (1854 - 1891) foi um escritor francês.

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Frases - Página 4

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"Flores De um pequeno degrau dourado -, entre os cordões de seda, os cinzentos véus de gaze, os veludos verdes e os discos de cristal que enegrecem como bronze ao sol -, vejo a digital abrir-se sobre um tapete de filigranas de prata, de olhos e de cabeleiras. Peças de ouro amarelo espalhadas sobre a ágata, pilastras de mogno sustentando uma cúpula de esmeraldas, buquês de cetim branco e de finas varas de rubis rodeiam a rosa d'água. Como um deus de enormes olhos azuis e de formas de neve, o mar e o céu atraem aos terraços de mármore a multidão das rosas fortes e jovens."
"Minha Boêmia (Fantasia) Lá ia eu, de mãos nos bolsos descosidos; Meu paletó também tornava-se ideal; Sob o céu, Musa! Eu fui teu súdito leal; Puxa vida! A sonhar amores destemidos! O meu único par de calças tinha furos. - Pequeno Polegar do sonho ao meu redor Rimas espalho. Albergo-me à Ursa Maior. - Os meus astros nos céus rangem frêmitos puros. Sentado, eu os ouvia, à beira do caminho, Nas noites de setembro, onde senti tal vinho O orvalho a rorejar-me as fronte em comoção; Onde, rimando em meio à imensidões fantásticas, Eu tomava, qual lira, as botinas elásticas E tangia um dos pés junto ao meu coração!"
"No Cabaré-Verde às cinco horas da tarde Oito dias a pé, as botinas rasgadas Nas pedras do caminho: em Charleroi arrio. - No Cabaré-Verde: pedi umas torradas Na manteiga e presunto, embora meio frio. Reconfortado, estendo as pernas sob a mesa Verde e me ponho a olhar os ingênuos motivos De uma tapeçaria. - E, adorável surpresa, Quando a moça de peito enorme e de olhos vivos - Essa, não há de ser um beijo que a amedronte! - Sorridente me trás as torradas e um monte De presunto bem morno, em prato colorido; Um presunto rosado e branco, a que perfuma Um dente de alho, e um chope enorme, cuja espuma Um raio vem doirar do sol amortecido."
"Canção da Torre Mais Alta Ociosa juventude De tudo pervertida Por minha virtude Eu perdi a vida. Ah! Que venha a hora Que as almas enamora. Eu disse a mim: cessa, Que eu não te veja: Nenhuma promessa De rara beleza. E vá sem martírio Ao doce exílio. Foi tão longa a espera Que eu não olvido. O terror, fera, Aos céus dedico. E uma sede estranha Corrói-me as entranhas. Assim os Prados Vastos, floridos De mirra e nardo Vão esquecidos Na viagem tosca De cem feias moscas. Ah! A viuvagem Sem quem as ame Só têm a imagem Da Notre-Dame! Será a prece pia À Virgem Maria? Ociosa juventude De tudo pervertida Por minha virtude Eu perdi a vida. Ah! Que venha a hora Que as almas enamora!"