"Não sei por que escrever para você pois não tenho a intenção de enviar; mas sempre que escrevo, algo em mim se acalma e posso ficar mais tranqüila. Percebi estes dias que fui viajar que possuo um vício, é um vício! Sempre gosto de pessoas para as quais não sou essencial; pode parecer melodrama, que seja então, mas na realidade me sinto assim. Ocupo um lugar no coração de todos, uns pelo meu desprendimento, outros pelo grau de parentesco, pela amizade e companheirismo em horas que normalmente se está só. Sei que este lugar existe, sei da importância que tenho para todos, sei até mesmo do amor que nutrem por mim. Essencial é diferente! É não ser, não viver sem o outro; é querer saber aonde encontrar, como tocar, é querer estar junto mesmo que em pensamento, sentir falta...Isto nunca tive! Sempre espero o que não posso ter... talvez seja isso, talvez eu queira ter uma importância que não me cabe, ou um amor que não existe. Poder esperar por algo, ainda que demore, poder sentir algo tão sublime que simplesmente seja impossível para mim. Eu que me viro só para tudo, eu que nunca soube pedir nada a ninguém, agora espero alguém que me acolha em seus braços somente para me sentir por perto, somente para me acarinhar..."
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ana
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"Não sei por que escrever para você pois não tenho a intenção de enviar; mas sempre que escrevo, algo em mim se acalma e posso ficar mais tranqüila. Percebi estes dias que fui viajar que possuo um vício, é um vício! Sempre gosto de pessoas para as quais não sou essencial; pode parecer melodrama, que seja então, mas na realidade me sinto assim. Ocupo um lugar no coração de todos, uns pelo meu desprendimento, outros pelo grau de parentesco, pela amizade e companheirismo em horas que normalmente se está só. Sei que este lugar existe, sei da importância que tenho para todos, sei até mesmo do amor que nutrem por mim. Essencial é diferente! É não ser, não viver sem o outro; é querer saber aonde encontrar, como tocar, é querer estar junto mesmo que em pensamento, sentir falta...Isto nunca tive! Sempre espero o que não posso ter... talvez seja isso, talvez eu queira ter uma importância que não me cabe, ou um amor que não existe. Poder esperar por algo, ainda que demore, poder sentir algo tão sublime que simplesmente seja impossível para mim. Eu que me viro só para tudo, eu que nunca soube pedir nada a ninguém, agora espero alguém que me acolha em seus braços somente para me sentir por perto, somente para me acarinhar..."
"SAUDADES DE NÃO SEI O QUÊ Pensei bem e decidi: vou largar a barra da saia da mamãe. Deixar pra trás a cama sempre arrumada, as roupas limpas, o leite no pires. Não quero mais ganhar presentes sem merecer, nem afagos a qualquer hora do dia. Me cansei dessa vida de filho único. Estou com saudades de não sei o quê; só sei que é de coisa que não vivi. Não quero mais gastar meus dias entre livros. Não quero mais perder a noção do tempo imerso num mundo que não é o meu. Preciso descobrir o que existe do outro lado; sentir o perigo perto. Quero sentir medo. Quero sentir paixão; sentir o sangue pulsando agitado da ponta dos pés às orelhas. Quero a prova de que tudo o que ouço é verdade. Quero experimentar novos sabores… azedos demais, salgados demais, amargos… Preciso de um corte no dedo que cicatrize sem curativo. Preciso esperar no ponto por um ônibus que não vai chegar nunca; e vou olhar para o relógio mil vezes enquanto isso. E quando todas essas coisas já forem rotina para mim vou correr na chuva, chorar ouvindo uma música, pegar um resfriado, ficar na cama sentindo a solidão, esperar telefonemas que não vão acontecer. Mas quando a felicidade me pegar de jeito, vou senti-la plenamente em cada poro, em cada célula do meu corpo. E celebrá-la, como se eu pudesse ser o último no mundo a senti-la. Abro os braços, inspiro fundo e me lanço da janela. Quatorze metros e meio até o chão. Restam seis vidas."
"SAUDADES DE NÃO SEI O QUÊ Pensei bem e decidi: vou largar a barra da saia da mamãe. Deixar pra trás a cama sempre arrumada, as roupas limpas, o leite no pires. Não quero mais ganhar presentes sem merecer, nem afagos a qualquer hora do dia. Me cansei dessa vida de filho único. Estou com saudades de não sei o quê; só sei que é de coisa que não vivi. Não quero mais gastar meus dias entre livros. Não quero mais perder a noção do tempo imerso num mundo que não é o meu. Preciso descobrir o que existe do outro lado; sentir o perigo perto. Quero sentir medo. Quero sentir paixão; sentir o sangue pulsando agitado da ponta dos pés às orelhas. Quero a prova de que tudo o que ouço é verdade. Quero experimentar novos sabores… azedos demais, salgados demais, amargos… Preciso de um corte no dedo que cicatrize sem curativo. Preciso esperar no ponto por um ônibus que não vai chegar nunca; e vou olhar para o relógio mil vezes enquanto isso. E quando todas essas coisas já forem rotina para mim vou correr na chuva, chorar ouvindo uma música, pegar um resfriado, ficar na cama sentindo a solidão, esperar telefonemas que não vão acontecer. Mas quando a felicidade me pegar de jeito, vou senti-la plenamente em cada poro, em cada célula do meu corpo. E celebrá-la, como se eu pudesse ser o último no mundo a senti-la. Abro os braços, inspiro fundo e me lanço da janela. Quatorze metros e meio até o chão. Restam seis vidas."