Introdução
Alexandra Mikhaylovna Kollontai nasceu em 31 de março de 1872, em São Petersburgo, Império Russo, e faleceu em 31 de março de 1952, em Moscou. Revolucionária bolchevique, escritora e diplomata, ela se destacou como defensora dos direitos das mulheres durante a Revolução Russa de 1917. Seus ensaios e ficções abordam a emancipação feminina, o amor proletário e a dissolução da família tradicional sob o comunismo.
Como comissária do povo para o bem-estar público em 1917, Kollontai implementou políticas para mães e crianças. Posteriormente, integrou o Zhenotdel, departamento do Partido Comunista para questões femininas. Nomeada embaixadora na Noruega em 1923, tornou-se a primeira mulher nessa posição globalmente. Seus escritos, como "A Família e o Comunismo Militante" (1920), influenciaram debates sobre gênero no socialismo. Apesar de críticas stalinistas, sobreviveu à era dos expurgos. Sua relevância persiste no feminismo marxista e estudos de gênero até 2026. (178 palavras)
Origens e Formação
Kollontai nasceu em uma família aristocrática. Seu pai, Mikhail Domontovich, era general do exército e ajudante-de-ordens do tsar. A mãe, Alexandra Masalina-Mravinskaya, de origem finlandesa e sueca, pertencia à burguesia culta. Cresceu em um ambiente privilegiado, com propriedades na Ucrânia e Finlândia. Recebeu educação domiciliar de tutores franceses e alemães, aprendendo línguas, história e literatura.
Aos 16 anos, frequentou cursos para mulheres na Rússia, mas abandonou-os por insatisfação. Em 1893, aos 21 anos, casou-se com Vladimir Kollontai, engenheiro de minas de família progressista. O casamento durou cinco anos; tiveram um filho, Mikhail, em 1894. Em 1898, separou-se e mudou-se para Moscou, trabalhando em fábricas para estudar condições operárias.
Viajou à Europa em 1899, visitando Suíça, Alemanha e França. Em Berlim, estudou com economistas marxistas e encontrou figuras como Rosa Luxemburgo. Leu obras de Marx, Engels e Bebel, especialmente "A Mulher e o Socialismo" (1879). Retornou à Rússia em 1903, ingressando no Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Publicou seu primeiro panfleto, "A Situação das Classes Trabalhadoras na Inglaterra", em 1903. Esses anos formataram sua visão de classe e gênero. (212 palavras)
Trajetória e Principais Contribuições
Kollontai aderiu aos bolcheviques após a cisão do POSDR em 1903. Organizou greves têxteis em 1905 e fugiu para exílio após a Revolução de 1905. De 1908 a 1914, viveu na Europa e EUA, escrevendo e palestrando. Publicou "A Crise Social na Rússia" (1910) e "A Nova Mulher Moral" (1912? – fontes variam, mas consensual).
Voltou à Rússia em 1917, após a Revolução de Fevereiro. Apoio os bolcheviques na Revolução de Outubro. Lenin a nomeou comissária do povo para o bem-estar público no primeiro Soviete de Comissários do Povo. Legalizou divórcio, aborto e creches estatais em 1918. Fundou o Zhenotdel em 1919, liderando campanhas contra prostituição e analfabetismo feminino.
Escreveu prolifcamente: "Cartas a uma Operária" (1918), "Comunismo e a Família" (1920), "A Família e o Comunismo Militante" (1920) e "O Amor Livre" (1920s). Defendia "amor camarada" – relações igualitárias sem ciúme burguês. Publicou ficções como "Vasilisa Malygina" (1923) e "A Doble de Amor" (1925), misturando autobiografia e propaganda.
Em 1922, transferida para diplomacia. Embaixadora na Noruega (1923-1925), enfrentou oposição local por seu ativismo. Depois, México (1926-1927), Turquia e Suécia. Em 1930, subiu a embaixadora na Suécia até 1945. Durante a Segunda Guerra, defendeu neutralidade soviética. Após 1945, aposentou-se em Moscou, escrevendo memórias. Suas contribuições moldaram políticas de gênero na URSS inicial. (268 palavras)
Vida Pessoal e Conflitos
Kollontai divorciou-se em 1898, criando o filho sozinha inicialmente; ele seguiu carreira diplomática. Relacionou-se com Pavel Dybenko, marinheiro bolchevique, casando em 1917. O casamento terminou em 1922, quando Dybenko foi executado em 1938 nos expurgos stalinistas. Teve outros affairs, alinhados à sua teoria de amor livre, mas evitou detalhes públicos.
Enfrentou críticas internas. Em 1920, seu panfleto sobre amor livre provocou polêmica; Lenin a chamou de "excessivamente loquaz". O Zhenotdel foi dissolvido em 1930 por Stalin, que via feminismo como desvio. Kollontai adaptou-se, apoiando coletivização, mas perdeu influência. Sobreviveu aos Grandes Expurgos (1936-1938), possivelmente por serviços diplomáticos. Viveu reclusa pós-1945, focando escrita.
Sua saúde declinou; morreu de ataque cardíaco aos 80 anos. Conflitos incluíram tensão com feministas ocidentais, que a viam como subserviente ao comunismo, e com conservadores soviéticos sobre família. Permaneceu leal ao partido. (198 palavras)
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Kollontai é reconhecida como pioneira do feminismo socialista. Políticas como aborto legal (1920, revogado 1936) influenciaram URSS e Europa Oriental. Seus textos inspiram estudos de gênero; reeditados em inglês ("Selected Writings", 1977) e russo. Primeira embaixadora mulher simboliza avanços diplomáticos femininos.
Críticas persistem: idealizou trabalho duplo para mulheres sem resolver desigualdades domésticas. Até 2026, citada em debates sobre interseccionalidade marxista-feminista, como em Sheila Rowbotham ("Women, Resistance and Revolution", 1973). Influencia autoras como Silvia Federici. Em Rússia pós-soviética, figura ambígua: heroína revolucionária ou relíquia stalinista. Exposições em museus de Moscou (2020s) e biografias (Cathy Porter, 1980) mantêm relevância. Seu arquivo na Academia de Ciências Russa preserva legado. (191 palavras)
