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Adam Smith

Adam Smith

Biografia Completa

Introdução

Adam Smith nasceu em 1723 e faleceu em 1790, marcando sua vida como ponte entre o Iluminismo escocês e os fundamentos da economia moderna. Economista e filósofo, ele publicou obras seminais que moldaram o debate sobre riqueza, moral e sociedade. Sua frase sobre a "mão invisível" captura a essência de seu pensamento: indivíduos, ao perseguirem interesses próprios, promovem o bem coletivo sem intenção direta.

Essa ideia surge em "Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações" (1776), onde Smith argumenta que o egoísmo racional eleva a produção social. Antes, em "A Teoria dos Sentimentos Morais" (1759), ele explora a simpatia humana como base ética. Esses textos, baseados em observação empírica, contrastam com mercantilismo e absolutismo. Smith importa porque questionou dogmas: riqueza mede-se pela prosperidade do povo, não de príncipes. Seu legado persiste em políticas liberais até 2026.

Origens e Formação

Adam Smith veio ao mundo em 5 de junho de 1723, em Kirkcaldy, Fife, Escócia. Filho único de Margaret Douglas e Adam Smith, um funcionário alfandegário que morreu meses antes de seu nascimento. A mãe exerceu forte influência, cuidando dele em ambiente modesto. Kirkcaldy ofereceu educação inicial sólida em escola local.

Aos 14 anos, em 1737, ingressou na Universidade de Glasgow. Estudou filosofia moral sob Francis Hutcheson, que enfatizava benevolência natural. Formou-se em 1740 e rumou a Balliol College, Oxford, com bolsa. Lá, de 1740 a 1746, enfrentou currículo rígido, mas criticou depois seu formalismo. Retornou à Escócia em 1748, lecionando retórica em Edimburgo.

Esses anos moldaram sua visão empírica. Influências incluíam Hutcheson e o empirismo de David Hume, amigo próximo desde 1748. Smith absorveu ideias de progresso humano guiado pela razão e observação, rejeitando especulações abstratas.

Trajetória e Principais Contribuições

Em 1751, aos 28 anos, Smith assumiu cátedra de lógica na Universidade de Glasgow, passando a moral em 1752. Lecionou até 1764, integrando economia à ética. Publicou "A Teoria dos Sentimentos Morais" em 1759, best-seller que descreve moral via "espectador imparcial": simpatia regula ações. Livro vendeu edições rápidas na Europa.

Em 1764, tutor do jovem Duque de Buccleuch, viajou à França por dois anos. Conheceu fisiocratas como Quesnay e Turgot em Paris, absorvendo críticas ao mercantilismo. Retornou a Kirkcaldy em 1766, dedicando dez anos a redação de sua obra magna.

"A Riqueza das Nações", lançada em 9 de março de 1776, revolucionou o pensamento. Dividida em cinco livros, discute divisão do trabalho: alfineteiro produz mil unidades por especialização. Critica monopólios estatais, defende livre comércio e impostos mínimos. Conceito chave: "mão invisível" guia o mercado. Outra citação: "O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir."

Smith argumenta que nações prosperam com acumulação de capital e mão de obra produtiva. Atacou ouro como medida de riqueza, priorizando bens reais. Em 1778, tornou-se comissário de alfândega em Edimburgo, salário alto que lhe deu estabilidade. Revisou obras até 1789, quinta edição de "Sentimentos Morais".

Contribuições estendem-se a educação: "O grande segredo da educação consiste em orientar a vaidade para os objetivos certos." E ciência: "A ciência é o grande antídoto do veneno do entusiasmo e da superstição." Sua abordagem sistematiza economia como ciência observacional.

Vida Pessoal e Conflitos

Smith viveu solteiro, sem filhos conhecidos. Residiu com mãe até sua morte em 1784, aos 90 anos. Rotina austera: caminhadas longas, distraído em pensamentos – relatos contam-no atravessando ruas sem notar. Amizade com David Hume durou décadas; cuidou dele em doença terminal em 1776.

Conflitos surgiram com ortodoxia religiosa. Crítico de clero estabelecido, defendeu tolerância em "Riqueza das Nações". Políticos o consultaram, mas evitou cargos públicos além de alfândega. Em 1787, incêndio destruiu casa; perdeu cartas de Hume.

Na morte, em 17 de julho de 1790, aos 67 anos, em Edimburgo, ordenou queimar 12 volumes de manuscritos inacabados, temendo imaturidade. Enterrado na Canongate Kirkyard. Testamento legou bens modestos. Críticas póstumas o rotularam "defensor do egoísmo", mas ele equilibrava com moral em "Sentimentos".

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Smith fundou economia clássica, influenciando Ricardo, Mill e Marx – que o citou apesar de discordâncias. "Riqueza das Nações" moldou globalização, comércio livre e capitalismo. Países como EUA e Reino Unido adotaram princípios em reformas do século XIX.

No século XX, keynesianos o contestaram, mas revival nos anos 1980 com Thatcher e Reagan invocou "mão invisível" para desregulamentação. Até 2026, debates persistem: pandemia COVID-19 reviveu discussões sobre intervenção estatal versus mercados. Bancos centrais citam divisão do trabalho em relatórios.

Universidades ensinam-no em cursos iniciais de economia. Edições modernas de obras vendem bem. Filósofos destacam integração moral-econômica, contrastando com visões utilitaristas puras. ONU e FMI referenciam riqueza popular em índices de desenvolvimento. Seu pensamento permanece vivo em críticas a protecionismo, como guerras comerciais EUA-China pré-2026.

Pensamentos de Adam Smith

Algumas das citações mais marcantes do autor.

"A Mão Invisível Todo indivíduo necessariamente trabalha no sentido de fazer com que o rendimento anual da sociedade seja o maior possível. Na verdade, ele geralmente não tem intenção de promover o interesse público, nem sabe o quanto o promove. Ao preferir dar sustento mais à atividade doméstica que à exterior, ele tem em vista apenas sua própria segurança; e, ao dirigir essa atividade de maneira que sua produção seja de maior valor possível, ele tem em vista apenas seu próprio lucro, e neste caso, como em muitos outros, ele é guiado por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de sua intenção. E o fato de este fim não fazer parte de sua intenção nem sempre é o pior para a sociedade. Ao buscar seu próprio interesse, freqüentemente ele promove o da sociedade de maneira mais eficiente do que quando realmente tem a intenção de promovê-lo."
"É a vaidade e não o prazer que nos interessa Qual a finalidade da avareza e da ambição, da busca de riqueza, poder e preeminência? Será para suprir as necessidades da natureza? O salário do mais pobre trabalhador pode supri-las. Vemos que esse salário lhe permite ter comida e roupas, o conforto de uma casa e de uma família. Se examinássemos a sua economia com rigor, constataríamos que ele gasta grande parte do que ganha com conveniências que podem ser consideradas supérfluas. [...] Qual é, então, a causa da nossa aversão à sua situação, e por que os que foram educados nas camadas mais elevadas consideram pior que a morte serem reduzidos a viver, mesmo sem trabalhar, compartilhando com ele a mesma comida simples, a habitar o mesmo tecto modesto e a vestir-se com os mesmos trajes humildes? Por acaso imaginam que têm um estômago superior ou que dormem melhor num palácio do que numa cabana? [... ] De onde, portanto, nasce a emulação que permeia todas as diferentes classes de homens, e quais são as vantagens que pretendemos com esse grande propósito da vida humana a que chamamos melhorar nossa condição? Ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia e afabilidade e ser visto com aprovação são todas as vantagens que se pode pretender obter com isso. É a vaidade, e não a tranquilidade ou o prazer, que nos interessa. Mas a vaidade sempre tem por base a convicção de sermos objecto de atenção e aprovação. O homem rico deleita-se com as suas riquezas por julgar que elas naturalmente lhe atraem a atenção do mundo e que os homens estão dispostos a acompanhá-lo em todas as agradáveis emoções que as vantagens da sua situação tão prontamente inspiram a ele. Quando tal pensamento lhe ocorre, o seu coração parece crescer e dilatar-se dentro do peito, e ele aprecia a sua riqueza mais por esse motivo do que por todas as outras vantagens que ela lhe traz. (A Teoria dos Sentimentos Morais)"