Introdução
Albert Szent-Györgyi de Nagyrápolt nasceu em 16 de setembro de 1893, em Budapeste, Império Austro-Húngaro. Morreu em 22 de outubro de 1986, em Woods Hole, Massachusetts, Estados Unidos. Bioquímico e fisiologista renomado, ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1937. Recebeu a honraria por "descobertas em conexão com os processos biológicos de oxidação, particularmente o papel da vitamina C e do fumarato".
Seu trabalho revolucionou a bioquímica nutricional e a fisiologia muscular. Isolou o ácido ascórbico, conhecido como vitamina C, entre 1927 e 1932. Estudou mecanismos de contração muscular, identificando actina e miosina. Atuou em universidades da Hungria, Cambridge, Szeged e, após 1947, nos EUA, em instituições como Carnegie Institution e Brandeis University.
Além da ciência, expressou ideias filosóficas sobre a vida, a pesquisa e a sociedade. Frases como "A descoberta consiste em ver o que todo mundo viu e pensar o que ninguém pensou" circulam em sites como pensador.com. Sua relevância persiste em nutrição, oncologia e bioética até 2026.
Origens e Formação
Szent-Györgyi cresceu em uma família nobre e culta de Budapeste. Seu pai, Miklós Szent-Györgyi, era dono de uma fábrica de sabão. A mãe, Jozefina Lenhossék, descendia de família médica; seu tio, Mihály Lenhossék, foi anatomista famoso. Tinha quatro irmãos, incluindo uma irmã que influenciou seu interesse pela ciência.
Aos 18 anos, em 1911, iniciou medicina na Universidade de Budapeste. A Primeira Guerra Mundial interrompeu os estudos. Serviu como médico no exército austro-húngaro na fronte italiana, onde contraiu escorbuto – experiência que despertou curiosidade pela vitamina C. Ferido em batalha, recebeu medalha por bravura.
Após a guerra, em 1918, continuou estudos em Praga, Berlim e Hamburgo. Em 1920, formou-se médico pela Universidade de Budapeste. Trabalhou no Instituto de Farmacologia de Pozsony (atual Bratislava). Em 1922, mudou-se para o Cambridge University, no Laboratório Hopkins, sob direção de Frederick Gowland Hopkins, pioneiro da bioquímica. Lá, pesquisou oxidação muscular. Recebeu PhD em 1927 pela Universidade de Cambridge.
Trajetória e Principais Contribuições
Em 1927, retornou à Hungria como professor em Szeged University. Isolou hexurônico ácido de glândulas suprarrenais de bois, depois de pimentas e suco de laranja. Em 1932, identificou-o como ácido ascórbico, vitamina C, prevenidora do escorbuto. Publicou resultados em Nature e Journal of Biological Chemistry. Recebeu suporte de Red Cross para extrair 1g puro em 1933.
O Nobel de 1937 veio por esses trabalhos e estudos sobre o ciclo de Krebs inicial, com fumarato e citrato em oxidação. Em 1936, tornou-se professor em Szeged. Descobriu actina (1935) e miosina (1941-1942), proteínas chave na contração muscular. Explicou o mecanismo ATP-dependente.
Durante a Segunda Guerra Mundial, na Hungria ocupada, escondeu judeus e resistiu aos nazistas. Em 1944, negociou rendição alemã em Budapeste com diplomatas suecos, salvando vidas. Após a guerra, recusou cargo político no regime comunista. Em 1947, emigrou para os EUA com 1 dólar no bolso.
Trabalhou no Instituto Carnegie de Washington (1947-1954), focando em contração muscular com equipamentos eletrônicos. Em 1954, juntou-se à Universidade de Peabody, depois Brandeis University (1955-1966). Dirigiu o Instituto de Pesquisa em Envelhecimento. Fundou o National Foundation for Cancer Research em 1964, presidindo até a morte. Pesquisou quimiotaxia de espermatozoides, câncer e bioeletrônica. Publicou mais de 300 artigos e livros como The Crazy Ape (1970), criticando guerra nuclear.
Vida Pessoal e Conflitos
Casou-se três vezes. Primeira esposa, Oktavia (Otta), em 1917; tiveram uma filha, Ágnes. Divorciou-se em 1941. Segunda, Mária Boross, em 1941; sem filhos, divorciou-se em 1957. Terceira, Marcia Houston, em 1960; permaneceu até a morte dela em 1978. Viveu modestamente, apesar da nobreza.
Enfrentou perseguições políticas. Na Hungria comunista pós-1945, recusou honrarias para evitar compromissos ideológicos. Fugiu para evitar prisão. Nos EUA, criticou burocracia científica e militarismo. Em Science, Ethics and Politics (1962), alertou sobre riscos nucleares.
Saúde declinou nos anos 1970 com problemas cardíacos. Recebeu honras como Ordem do Mérito da Hungria (1973). Viveu em Woods Hole, perto do Marine Biological Laboratory, onde pesquisou até os 90 anos.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Szent-Györgyi influencia nutrição global. A vitamina C previne escorbuto e apoia imunidade, com suplementos bilionários. Seus trabalhos em actina-miosina baseiam terapias para distúrbios musculares como miocardiopatias.
O National Foundation for Cancer Research financia estudos até 2026, focando em metabolismo tumoral. Suas frases inspiram cientistas: "Pesquisa significa ir além do conhecido". Livros como Lost in Wonder (1977) discutem maravilha na ciência.
Em 2026, bioquímicos citam seu método experimental simples. Hungria o homenageia com selos e estátuas em Szeged. EUA reconhecem sua emigração como exemplo de refúgio científico. Seu arquivo está na National Library of Medicine.
