Introdução
A Favorita, lançado em agosto de 2018, marca um dos trabalhos mais aclamados do diretor grego Yorgos Lanthimos. Dirigido por ele e roteirizado por Deborah Davis e Tony McNamara, o filme retrata a corte inglesa no início do século XVIII, centrando-se na Rainha Anne e na disputa pelo seu favoritismo entre Lady Sarah Churchill e Abigail Masham. Com um elenco estelar liderado por Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz, o longa conquistou dez indicações ao Oscar de 2019, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Colman levou o prêmio de Melhor Atriz, consolidando o filme como um destaque no cinema de época com toques de humor negro e absurdismo. De acordo com dados consolidados até 2026, A Favorita arrecadou mais de 95 milhões de dólares mundialmente com um orçamento de cerca de 15 milhões, provando o apelo comercial do estilo lancimosiano. Sua relevância persiste pela fusão de história factual com sátira contemporânea, influenciando debates sobre poder feminino e política palaciana.
Origens e Formação
O roteiro de A Favorita originou-se da tese de doutorado de Deborah Davis, historiadora britânica, sobre as relações na corte de Anne Stuart, Rainha da Grã-Bretanha de 1702 a 1714. Davis desenvolveu o script inicial nos anos 1990, inspirada em eventos reais como a amizade entre a rainha e Sarah Churchill, Duquesa de Marlborough, e a ascensão posterior de Abigail Masham. Tony McNamara, roteirista australiano conhecido por The Rage in Placid Lake, revisou e poliu o texto, adicionando camadas de humor irônico e diálogo afiado, fiel ao estilo de Lanthimos visto em O Lagarto e The Lobster.
Yorgos Lanthimos, nascido em 1973 em Atenas, assumiu a direção após colaborar com McNamara. Seu background em teatro experimental e publicidade grega moldou a abordagem visual: lentes de fish-eye para distorcer perspectivas, enfatizando o confinamento psicológico da corte. A pré-produção ocorreu em 2017, com filmagens em locações inglesas como Hatfield House e Barn Elms Park, recriando o Palácio de Windsor. O orçamento, financiado por Film4, Fox Searchlight e Element Pictures, permitiu uma recriação meticulosa do período barroco, com figurinos de Sandy Powell – indicada ao Oscar – e cenários de Fiona Crombie.
Os protagonistas baseiam-se em figuras históricas. Anne Stuart sofreu de gota e perdas pessoais, incluindo 17 gestações sem sobreviventes. Sarah Churchill, política influente, gerenciava os assuntos da rainha até a chegada de Abigail, prima pobre que manipulou sua posição. Esses fatos históricos, documentados em biografias como Queen Anne: The Politics of Passion de Anne Somerset, formam o núcleo factual do filme, sem alterar cronologia essencial.
Trajetória e Principais Contribuições
A produção de A Favorita iniciou com a estreia mundial no Festival de Veneza em 30 de agosto de 2018, onde ganhou o Grande Prêmio do Júri e a Coppa Volpi para Colman e Weisz. O lançamento comercial seguiu em setembro no Reino Unido e novembro nos EUA, expandindo para mercados como o Brasil em 2018. A recepção crítica foi unânime: 93% no Rotten Tomatoes e nota 8.0 no IMDb, elogiando o equilíbrio entre precisão histórica e inovação estilística.
No Oscar de 2019, as dez indicações representaram o maior número para Lanthimos: Melhor Filme (Sandy Powell como produtora), Diretor, Atriz Principal (Colman), Atrizes Coadjuvantes (Stone e Weisz), Roteiro Original, Edição (Yorgos Mavropsaridis), Cinematografia (Robbie Ryan), Figurino, Maquiagem e Perucas. A vitória de Colman – seu primeiro Oscar após papéis em Broadchurch e The Crown – destacou sua portrayal excêntrica da rainha, misturando fragilidade e fúria.
Outros prêmios incluem sete BAFTA em 2019 (Melhor Filme Britânico, Atriz para Colman, Atriz Coadjuvante para Weisz, Roteiro Adaptado, Figurino, Maquiagem e Design de Produção), além de indicações no Globo de Ouro e Critics' Choice. A trilha sonora de Alexandre Desplat, com peças de Handel adaptadas, contribuiu para a imersão temporal.
Tecnicamente, o filme inova com coreografias de Sandy Lieberson e movimentos de câmera fluidos, contrastando a rigidez cortesã. Temas como ambição feminina em patriarcados e decadência real foram explorados via cenas icônicas: o coelho de estimação da rainha simbolizando caprichos, e duelos verbais carregados de subtexto sexual.
| Marcos Principais | Detalhes |
|---|---|
| Estreia Veneza | 30/08/2018 – Grande Prêmio do Júri |
| Lançamento EUA | Novembro 2018 |
| Oscar 2019 | 10 indicações, 1 vitória (Colman) |
| Arrecadação global | US$ 95,4 milhões |
| Duração | 119 minutos |
Essas contribuições elevaram Lanthimos de cinema indie para mainstream, pavimentando Poor Things (2023).
Vida Pessoal e Conflitos
A Favorita enfrentou poucas controvérsias diretas. Críticas iniciais questionaram a precisão histórica – como a sexualização exagerada das relações femininas, ausente em registros primários – mas historiadores como Davis defenderam licenças artísticas para dramaticidade. Rachel Weisz, casada com Lanthimos desde 2011, descreveu em entrevistas o set como colaborativo, apesar do método intenso do diretor.
Olivia Colman falou sobre o desafio físico de gagueira e próteses para gota, enquanto Emma Stone destacou improvisos em cenas de dança. Nenhum conflito grave surgiu; ao contrário, o trio de atrizes ganhou o apelido "The Three Amigas" pela química. Pandemia de COVID-19 atrasou reexibições, mas streaming na Hulu e Disney+ manteve visibilidade.
Não há relatos de brigas em produção ou bastidores polêmicos. O filme evitou demonizações, optando por ambiguidade moral: personagens são manipuladores sem vilania absoluta.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até fevereiro 2026, A Favorita influencia o cinema de prestígio. Citado em análises de poder feminino, como em The Queen's Gambit, e revisto em retrospectivas de Lanthimos no MoMA (2024). Disponível em plataformas como HBO Max no Brasil, acumula visualizações anuais. Seu Oscar para Colman impulsionou sua carreira, levando a The Lost Daughter e The Crown.
Culturalmente, resgata Anne Stuart, subestimada frente a Elizabeth I. Estudos acadêmicos, como em Film Quarterly (2020), analisam seu fish-eye como metáfora de distorção política. Em 2025, edições em 4K relançaram-no em festivais, confirmando status cult. Sem sequências planejadas, seu legado reside na reinvenção do biopic histórico via absurdo, inspirando diretores como Emerald Fennell em Promising Young Woman.
